Como o Open Finance pode ser usado para melhorar a vida de trabalhadores por aplicativo?

Em todo o mundo, a tecnologia tem ditado o avanço das grandes economias globais. Já conhecíamos a força de uma Microsoft ou de uma Apple, mas, nos últimos anos, mesmo setores não diretamente ligados ao universo tecnológico (como o varejo e o entretenimento) têm, no Brasil e no mundo, aportado o seu crescimento nos meios e nas ferramentas conquistadas pelo avanço da tecnologia.

Mas certamente não são apenas as empresas mais tradicionais e conhecidas que são impactadas pelo avanço tecnológico, que tem, na verdade, criado mercados inteiramente novos. No Brasil, sabemos bem disso, a vida nos grandes centros urbanos foi transformada pelo surgimento do mercado de aplicativos: Uber, Rappi, iFood e tantos outros. Em 2018, segundo o IBGE, já eram 3,6 milhões de colaboradores, para um volume de usuários de expressão internacional. A Economia, até então, já reconhecia a existência de empregos temporários, freelancers, autônomos, e ocupações voltadas à complementação de renda. Mas o mercado gerado na segunda metade dos anos 2010 foi tão relevante que recebeu nome: é a “gig economy”. E com a crise econômica, são os players desse mercado que têm se tornado “os maiores ‘empregadores’ do país”

Nos deparamos então com um cenário desafiador e aparentemente paradoxal: a coexistência de desafios econômicos sérios à um avanço expressivo do mercado de tecnologia. 

Ao Estado, tem cabido, seja para mitigar os efeitos da crise, seja para mudar o perfil do mercado de trabalho, auxiliar na consolidação de um ambiente favorável à constituição e à proliferação de ferramentas tecnológicas para o mercado, sobretudo através da elaboração da regulação e da legislação necessárias. Em artigo recente, o Presidente do Banco Central Roberto Campos Neto sinalizou a forma com a qual os “avanços tecnológicos têm permitido uma grande diminuição dos custos de produção, de armazenamento e de processamento de dados; uma evolução acelerada nos sistemas de pagamento; e novas possibilidades de serviços financeiros.” 

No entanto, a “agenda tecnológica” do Banco Central não surge em 2021, tampouco com a crise de 2015, e tem sido, na verdade, trabalhada ao longo de diversos governos na última década. Caso emblemático é o da constituição das “instituições de pagamento”, cuja primeira lei regulatória remete a 2013, e que permitiria o surgimento e a consolidação de soluções como Picpay, Ame, Nubank (em sua versão original), entre outras. Desde então, tem sido sobretudo o ecossistema financeiro a despontar, com o uso da tecnologia, no sentido da construção de um ambiente mais horizontal, democrático e flexível.

Um momento importante desse processo foi o recente lançamento, pelo Banco Central, do open finance, uma evolução do open banking. Embora tenha um propósito ambicioso, a ideia por trás da inovação é simples: garantir que o usuário de uma instituição financeira possa transferir o seu histórico e o seu perfil financeiro para outra instituição. Quem já criou conta numa corretora, pediu aumento do limite do cartão de crédito ou pleiteou a concessão de um empréstimo (para citar alguns exemplos), sabe o quão importante é, para as instituições, ter a certeza de que você tem um perfil confiável. Como, na linguagem financeira, o risco é o medidor da imprevisibilidade, quão mais consistentes são as informações sobre você, mais você se torna confiável para as instituições financeiras, que se sentirão mais seguras para lhe oferecer serviços e produtos.    

Para o cálculo de risco elaborado pelas instituições financeiras, soma-se ainda uma série de fatores de conjuntura econômica. Como mencionamos, a economia brasileira tem passado por desafios diversos, destacando-se entre suas consequências mais marcantes a disparada e a persistência do desemprego acima da casa dos 11%, desde 2016. A pandemia, evidentemente, acelerou esse processo. Colaboradores que porventura tenham ido de um emprego CLT para a gig economy deparam-se, então, com instituições financeiras ainda mais avessas ao risco, mais criteriosas na hora de oferecer acesso a serviços e produtos. 

O resultado: milhões de brasileiros alijados de meios e ferramentas importantes para a garantia de uma boa saúde financeira, reforçando um quadro geral nocivo para os trabalhadores

Eles passam a ser caracterizados como sub-bancarizados, ou seja, clientes que até tem acesso à conta corrente (e, portanto, são bancarizados), mas que não têm acesso a basicamente nada além disso. Os bancos têm sido, portanto, incapazes de absorver essa massa crescente de trabalhadores. Para sermos mais técnicos, não têm sido capazes de dar conta, ou melhor, de entender os critérios e riscos necessários na hora de oferecer produtos financeiros a trabalhadores de aplicativos.

A grosso modo, a gig economy exige que o sistema financeiro reavalie a sua forma de analisar crédito. E é exatamente aí que entra a importância da flexibilização e do acesso à informação proporcionadas pelo open finance: permitir que instituições financeiras tenham insumo informacional para gerar produtos e soluções mais nichadas, capazes de atender ao novo e extenso mercado gerado pela gig economy. Em poucas palavras, é preciso usar o que a tecnologia tem oferecido a fim de ampliar os horizontes do ecossistema financeiro, corrigindo impasses inerentes ao desenvolvimento da própria tecnologia.

A exatamente isso se propõe a Plific: desenvolver uma solução capaz de que trabalhadores por aplicativo sincronizem suas transações, conectando-se às instituições financeiras e aos principais apps de entrega, mobilidade etc. para servir como ponte informacional entre esses dois universos desconectados pela crise e pela sub-bancarização. Com um app já em acesso antecipado, a start-up pretende melhorar o dia-a-dia nesse mercado crescente, dando segurança financeira a um cotidiano caracterizado pela instabilidade.

Bruno Moraes | CEO e Fundador da Plific





A Plific é uma investida da Investtools. Investimos e desenvolvemos empresas que reforçam nosso ecossistema com acompanhamentos estratégicos e operacionais de forma tailor made. Se você é empreendedor ou tem uma ideia com solução de alto impacto e com potencial de escala, conte pra gente, vamos agendar uma conversa.

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